{"id":3970,"date":"2021-02-15T21:34:13","date_gmt":"2021-02-15T21:34:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.flemacon.org\/?p=3970"},"modified":"2021-04-18T20:57:47","modified_gmt":"2021-04-18T20:57:47","slug":"flemacon-vanguarda-do-setor-da-construcao-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/2021\/02\/flemacon-vanguarda-do-setor-da-construcao-na-america-latina\/","title":{"rendered":"FLEMACON, Vanguarda do Setor da Constru\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p><em>Resgatamos do site da UITBB o discurso de Luis Villanueva Carbajal, Secret\u00e1rio Geral da FTCCP (<span lang=\"ES-PE\">Federaci\u00f3n de Trabajadores en Construcci\u00f3n Civil del Per\u00fa) e membro da Secretaria da UITBB, proferido em 25 de outubro de 2020, por ocasi\u00e3o do Dia dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o do Per\u00fa, celebrando tamb\u00e9m os 50 anos da FLEMACON, fundada em 25 de outubro de 1970.<\/span><\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zoz5340Yol0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CLIQUE AQUI E ASSISTA O V\u00cdDEO DO FORO SINDICAL INTERNACIONAL &#8220;La Flemacon como vanguardia del sector construcci\u00f3n en Latinoam\u00e9rica&#8221;<\/a><\/p>\n<p><strong>FLEMACON, Vanguarda do Setor da Constru\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3976 alignleft\" src=\"https:\/\/www.flemacon.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ftccp1-300x193.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/www.flemacon.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ftccp1-300x193.jpg 300w, https:\/\/www.flemacon.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ftccp1-768x494.jpg 768w, https:\/\/www.flemacon.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ftccp1-696x447.jpg 696w, https:\/\/www.flemacon.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ftccp1-654x420.jpg 654w, https:\/\/www.flemacon.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ftccp1.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Por: Luis Villanueva Carbajal (Secret\u00e1rio Geral da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil do Peru e membro da Secretaria da UITBB)<\/em><\/p>\n<p>Este 2020 far\u00e1 50 anos desde a realiza\u00e7\u00e3o do congresso constitutivo da Federa\u00e7\u00e3o Latino-Americana da Constru\u00e7\u00e3o, Madeira e Materiais de Constru\u00e7\u00e3o (FLEMACON), do qual participaram representantes dos sindicatos e federa\u00e7\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o do Uruguai, Panam\u00e1, Costa Rica, Chile, Brasil , Bol\u00edvia, Peru, entre outros pa\u00edses, reuniram-se para esse fim nas instala\u00e7\u00f5es da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil do Peru (FTCCP), em Lima.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia deste congresso, realizado em 1970, foi a celebra\u00e7\u00e3o de acordos que os trabalhadores executariam em seus respectivos pa\u00edses na esfera latino-americana e caribenha, como uma etapa preliminar para se chegar a um consenso global.<\/p>\n<p>Um desses acordos importantes e talvez o mais significativo foi a luta pela implanta\u00e7\u00e3o do Dia do Trabalhador da Constru\u00e7\u00e3o Civil no dia 25 de outubro, conquista que o Peru conquistou em 1985, por meio da Lei 2.4324.<\/p>\n<p>A lei, ao p\u00e9 da letra, diz: Artigo 1\u00ba: \u201cDeclarar no dia 25 de outubro de cada ano\u2018 Dia dos Trabalhadores na Constru\u00e7\u00e3o Civil \u2019, em reconhecimento e agradecimento nacional aos ditos trabalhadores dedicados\u201d; Artigo 2\u00ba: \u201c\u00c9 dia de folga no dia 25 de outubro de cada ano para todos os trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil da Rep\u00fablica, com vencimento sem preju\u00edzo do sal\u00e1rio de domingo\u201d.<\/p>\n<p>Como este ano o dia 25 de outubro caiu em um domingo, o feriado foi transferido para segunda-feira, 26 de outubro, conforme previsto pelo Decreto Legislativo n\u00ba 713 e Lei n\u00ba 26331.<\/p>\n<p><strong>A constru\u00e7\u00e3o civil e a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro<\/strong><\/p>\n<p>Por\u00e9m, 25 de outubro n\u00e3o foi uma data aleat\u00f3ria, mas sim escolhida em comemora\u00e7\u00e3o a um acontecimento hist\u00f3rico. Como recordou Sa\u00fal M\u00e9ndez, secret\u00e1rio-geral do SUNTRACS do Panam\u00e1, em uma confer\u00eancia organizada pela FTCCP em 15 de outubro, a data tem um significado de classe, pois em 25 de outubro, no antigo calend\u00e1rio russo, ocorreu a revolu\u00e7\u00e3o. A famosa Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o latino-americana e caribenha reivindicaram essa data ao tomarem o acordo naquele congresso constitutivo da FLEMACON. O Panam\u00e1 \u00e9 outro pa\u00eds que conseguiu a cria\u00e7\u00e3o de 25 de outubro; tamb\u00e9m o Uruguai.<\/p>\n<p>A palestra proferida por Sa\u00fal M\u00e9ndez, \u201cNovas tecnologias e deslocamento de m\u00e3o de obra no setor da constru\u00e7\u00e3o\u201d, faz parte das atividades comemorativas da ocasi\u00e3o; a que se seguiu, no dia 22 de outubro, \u201cO salto dos trabalhadores da luta vingativa para a luta pol\u00edtica\u201d, de Daniel Diverio, secret\u00e1rio-geral do Sindicato \u00danico Nacional da Constru\u00e7\u00e3o e Anexos (SUNCA) do Uruguai e presidente do Sindicato Internacional dos Sindicatos dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o, Madeira e Materiais de Constru\u00e7\u00e3o (UITBB). O ciclo de atividades culminou em um f\u00f3rum sindical internacional denominado &#8220;FLEMACON como vanguarda do setor da constru\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina&#8221;. Neste f\u00f3rum participaram Luc\u00eda Maia, presidente da FLEMACON; Daniel Diverio; Sa\u00fal M\u00e9ndez, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente do Comit\u00ea Regional do International Construction and Wood Workers (ICM) para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe.<\/p>\n<p><strong>Contexto peruano<\/strong><\/p>\n<p>Este importante f\u00f3rum, que revive aquele congresso constitutivo do FLEMACON de 1970, foi realizado em um contexto global de crise devido \u00e0 pandemia de covid-19, uma crise carregada sobre os ombros dos trabalhadores do mundo e da popula\u00e7\u00e3o em geral e no que os direitos trabalhistas foram violados, sendo os mais pobres aqueles que pagaram com a vida.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, no Peru, os trabalhadores do setor trabalham 4 meses por ano na folha de pagamento, com todos os direitos trabalhistas. Isso se deve a dois fatores fundamentais: as obras de constru\u00e7\u00e3o s\u00e3o tempor\u00e1rias, dura enquanto dura a frente de trabalho para a qual o trabalhador \u00e9 contratado e existe um mercado de trabalho com cerca de 75% de informalidade. Na maior parte do ano, o trabalhador trabalha no setor informal ou est\u00e1 desempregado, quando aproveita suas parcas economias. Por isso, desde o in\u00edcio da quarentena, com a consequente paralisa\u00e7\u00e3o das atividades da constru\u00e7\u00e3o civil, mais de 450.000 oper\u00e1rios ficaram sem sal\u00e1rio e sem poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>O Peru sofreu a pior estrat\u00e9gia do mundo na gest\u00e3o do covid-19, por isso somos o pa\u00eds com maior n\u00famero de mortes e infec\u00e7\u00f5es em propor\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de habitantes, o que \u00e9 uma not\u00edcia internacional. Los bonos del Estado, que llegan a pocos y tarde para las familias peruanas, representan en total la quinta parte del dinero otorgado en pr\u00e9stamo a las empresas privadas mediante un solo programa, el Reactiva Per\u00fa, que, como su nombre lo dice, debi\u00f3 reactivar a economia. Mas esse empr\u00e9stimo \u00e9 um dinheiro sobre o qual n\u00e3o h\u00e1 controle ou supervis\u00e3o adequados, e o resultado tem sido cerca de 7 milh\u00f5es de pessoas que perderam seus empregos no setor formal e informal em meados de 2020. Houve uma inje\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria de capital do estado cofres, mas n\u00e3o houve uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica adequada.<\/p>\n<p>Devido ao elevado desemprego, lobbies empresariais que pretendem implementar um regime de trabalho de guerra e um desperd\u00edcio do tesouro nacional que cheira a corrup\u00e7\u00e3o, os trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil e outros setores da economia sa\u00edram \u00e0s ruas para protestar durante o estado de emerg\u00eancia e a quarentena obrigat\u00f3ria, contornando controles estatais, para exigir a\u00e7\u00f5es efetivas contra a fome, a mis\u00e9ria, o desemprego e o mau uso da caixa fiscal.<\/p>\n<p>Assim como realizamos a\u00e7\u00f5es setoriais, tamb\u00e9m apoiamos as a\u00e7\u00f5es de luta que a Confedera\u00e7\u00e3o Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP) desenvolve em defesa dos interesses da classe trabalhadora. E por isso participamos ativamente nas convocat\u00f3rias de cada Dia Nacional de Luta da CGTP, incluindo a mais recente, a 5 de novembro, contra a suspens\u00e3o do trabalho e despedimentos coletivos, a defesa da negocia\u00e7\u00e3o coletiva e a gratifica\u00e7\u00e3o de 1000 soles para todos os peruanos maior de idade para enfrentar esta crise.<\/p>\n<p><strong>Os jogos da fome<\/strong><\/p>\n<p>Os peruanos recebem t\u00edtulos de 760 soles (cerca de US $ 211), mas n\u00e3o s\u00e3o pessoas f\u00edsicas, mas sim familiares, e a forma como se faz a escolha do parente que recebe o v\u00ednculo \u00e9 praticamente um sorteio de morte que n\u00f3s, trabalhadores, conhecemos como os novos jogos da fome, relembrando a novela da escritora americana Suzanne Collins, que inspirou a s\u00e9rie de filmes de mesmo nome. Ningu\u00e9m sabe ao certo quem sobreviver\u00e1 ou desaparecer\u00e1 nesta pandemia.<\/p>\n<p>Em troca desse sorteio sem regras claras, que mant\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o em perigo, os trabalhadores exigiram um b\u00f4nus de 1000 soles para todos os maiores de idade enquanto durar a pandemia, de forma que salv\u00e1ssemos a popula\u00e7\u00e3o da fome, da mis\u00e9ria , desnutri\u00e7\u00e3o, morte por doen\u00e7as por defesas baixas, deser\u00e7\u00e3o educacional em geral, entre outros males cujos reais efeitos s\u00f3 poderemos analisar quando a pandemia acabar.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma demanda fora de contexto, mas est\u00e1 inscrita no contexto das demandas globais por uma renda b\u00e1sica universal e o imposto sobre a riqueza que seriam \u00f3timas medidas para salvaguardar a vida.<\/p>\n<p>Meses ap\u00f3s o in\u00edcio da reativa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, apenas cerca de 86 mil trabalhadores atualmente trabalham na constru\u00e7\u00e3o civil, dos 450 mil ativos antes da pandemia. Al\u00e9m disso, nos primeiros dias de reativa\u00e7\u00e3o das obras, cerca de 30% dos trabalhadores foram infectados pelo covid-19 no transporte p\u00fablico, que no Peru \u00e9 um dos mais informais e mais superlotados do mundo; e tamb\u00e9m no trabalho, devido \u00e0 falta de testes moleculares para o covid-19 fazer um descarte eficaz.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a realidade peruana em que comemoramos estes 50 anos de funda\u00e7\u00e3o do FLEMACON, de contextos diferentes, mas igualmente dif\u00edceis para os trabalhadores, em particular, e para as pessoas, em geral, no mundo. Cinq\u00fcenta anos ap\u00f3s o primeiro encontro, somos outros atores, mas mantemos vivo o mesmo esp\u00edrito de mudan\u00e7a e justi\u00e7a social que encorajou nossos antecessores em sua luta. Essa luta \u00e9 nossa agora.<\/p>\n<div class=\"td-module-meta-info\"><\/div>\n<div class=\"td-post-content tagdiv-type\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resgatamos do site da UITBB o discurso de Luis Villanueva Carbajal, Secret\u00e1rio Geral da FTCCP (Federaci\u00f3n de Trabajadores en Construcci\u00f3n Civil del Per\u00fa) e membro da Secretaria da UITBB, proferido em 25 de outubro de 2020, por ocasi\u00e3o do Dia dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o do Per\u00fa, celebrando tamb\u00e9m os 50 anos da FLEMACON, fundada em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3977,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":{"0":"post-3970","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-discursos"},"translation":{"provider":"WPGlobus","version":"3.0.2","language":"pt","enabled_languages":["es","pt"],"languages":{"es":{"title":true,"content":true,"excerpt":false},"pt":{"title":true,"content":true,"excerpt":false}}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3970","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3970"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3970\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10505,"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3970\/revisions\/10505"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.flemacon.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}