Unidade de classe e resistência global: Crônica do 18º Congresso da UITBB


Lárnaca, Chipre — 21 e 22 de novembro de 2025.- 
O 18º Congresso da União Internacional de Sindicatos de Trabalhadores da Construção, Madeira e Materiais de Construção (UITBB) reuniu em Lárnaca 45 delegados dos cinco continentes, consolidando um espaço estratégico para fortalecer a resistência mundial contra a exploração capitalista. Participaram delegações do Chipre, Peru, Japão, Grécia, Palestina, Vietnã, Índia, Portugal, Brasil, Bangladesh, Síria, Paquistão, Uruguai, Líbano, Venezuela, Chile e Bielorrússia, mostrando a amplitude e profundidade do movimento sindical internacional.

Com mais de 10 milhões de trabalhadores representados, o Congresso ocorreu em um contexto adverso, no qual a crise capitalista global continua deteriorando a vida e os direitos da classe trabalhadora. O encontro concentrou-se em analisar essa realidade e aprovar resoluções de luta para enfrentar a ofensiva imperialista e neoliberal.

Um Congresso marcado pela crise global do capitalismo

O debate internacional deixou claro que a precarização avança nos principais setores produtivos. O setor da construção, um dos motores econômicos do mundo, enfrenta salários precários, informalidade crescente e condições de trabalho cada vez mais perigosas.

Em sua intervenção, o secretário-geral da UITBB, Michalis Papanikolaou, destacou o papel desempenhado pela classe trabalhadora:
“Os trabalhadores da indústria da construção estão sempre na linha de frente das lutas. Desempenham um papel muito importante na economia, na sociedade e no cenário político.”

Também alertou para a dramática situação da segurança laboral:
“Todos os anos, mais de 60 mil trabalhadores da construção perdem suas vidas em acidentes de trabalho ao redor do mundo: uma morte a cada oito minutos. No entanto, por trás de cada dado estatístico há uma família destruída e crianças que não voltarão a ver seus pais.”

A mensagem deixou claro que a morte de trabalhadores é consequência de políticas patronais que tratam a vida como um gasto descartável. Diante disso, afirmou, é necessário construir uma resposta organizada, militante e global.

A presença ativa da FLEMACON

A participação latino-americana esteve representada pela Federação Latino-Americana de Trabalhadores da Construção, Madeira e Materiais de Construção (FLEMACON), que compareceu com uma delegação sólida liderada por sua presidenta, Lúcia Costa Maia, e dirigentes sindicais do Brasil, Peru, Uruguai, Venezuela e Chile.

A intervenção da presidenta estabeleceu a posição política da Federação:
“Nossa presença neste congresso, além de renovar nossa solidariedade de classe internacionalista, também fortalece nossas convicções pela autodeterminação dos povos, pelo caráter anticapitalista e anti-imperialista.”

A FLEMACON denunciou o avanço da extrema direita, os retrocessos democráticos e a ingerência imperialista na região, bem como o deterioramento político e econômico gerado pela ofensiva neoliberal. A América Latina e o Caribe alertam que o imperialismo estadunidense, longe de recuar, intensifica suas pressões e operações contra os povos do continente, alimentando forças de extrema direita que promovem ódio, racismo e o desmonte de direitos trabalhistas.

A FLEMACON advertiu que, diante desse cenário, a unidade de classe deve ser a prioridade estratégica para enfrentar a regressão social, fortalecer a organização sindical e ampliar as lutas em cada país.

Reunião do Secretariado Executivo da FLEMACON no Chipre

Durante o Congresso, a FLEMACON realizou uma reunião de seu Secretariado Executivo. O objetivo foi traçar a rota para as próximas tarefas orgânicas, a coordenação continental e as ações de luta político-sindical.

Nessa sessão, abordou-se a necessidade de ampliar a organização regional e estabeleceram-se as linhas de ação rumo ao Congresso da FLEMACON, em agosto de 2026.

A direção avaliou os desafios imediatos e definiu como prioridade fortalecer as campanhas internacionais, consolidar a presença da Federação e reforçar a unidade política do movimento operário latino-americano.

Solidariedade internacional: um princípio irrenunciável

O Congresso reafirmou a solidariedade com os povos que resistem à agressão imperialista. A UITBB e a FLEMACON expressaram seu firme apoio a Cuba, Venezuela e Palestina, exigindo o fim do bloqueio estadunidense contra Cuba e respaldando a luta histórica do povo palestino pelo pleno reconhecimento do Estado da Palestina. O movimento sindical internacional ressaltou que a solidariedade não é um gesto simbólico, mas uma ferramenta concreta para enfrentar a dominação.

Resoluções estratégicas do Congresso

Entre os principais acordos aprovados, destacam-se: a aplicação obrigatória das convenções da OIT; o impulso a uma legislação trabalhista sólida que garanta direitos fundamentais e proteção social; o fortalecimento da negociação coletiva, hoje tão fragilizada em vários países; o aumento do corpo de inspetores do trabalho, com financiamento adequado e capacidade real de fiscalização; a democratização do Grupo dos Trabalhadores na OIT para dar espaço a todas as correntes sindicais; e a reafirmação do objetivo histórico de construir uma sociedade sem exploração, na qual o trabalho decente seja uma realidade para todos e não um privilégio.

Conclusão

O 18º Congresso da UITBB foi um ponto de encontro decisivo para a unidade operária mundial. Lárnaca não foi apenas um espaço de análise, mas um chamado para aprofundar a luta política e sindical da classe trabalhadora latino-americana e caribenha, que demonstra diariamente que mantém em alto a bandeira da unidade, da dignidade e da resistência global.

Secretaria de Imprensa e Comunicação — FLEMACON