Declaração da FLEMACON: A América Latina não é quintal de nenhuma potência

DECLARAÇÃO

A Federação Latino-Americana de Trabalhadores da Construção, Madeira e Materiais da Construção (FLEMACON), reunida em Montevidéu nos dias 04 e 05 de fevereiro de 2026, no marco do Segundo Seminário de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, declara:

A luta da classe trabalhadora pela saúde, a segurança e a vida nos locais de trabalho é parte inseparável da luta pela transformação revolucionária de nossas sociedades. O sistema capitalista e seu modelo econômico neoliberal colocam o lucro acima da vida humana, aprofundando a precarização laboral, a desproteção social e a morte de trabalhadores, particularmente na indústria da construção e atividades afins.

A articulação continental das trabalhadoras e dos trabalhadores do setor é uma necessidade estratégica. A realização deste Segundo Seminário constitui um passo firme na construção de uma agenda regional de luta, com ações coordenadas, diretrizes comuns e fortalecimento do sindicalismo classista, sob o respaldo político e organizativo da FLEMACON.

A luta pela vida não pode ser separada da luta pela liberdade, a soberania e a autodeterminação dos povos. O imperialismo não apenas ameaça a integridade física da classe trabalhadora nos locais de trabalho, como também agride nossos povos por meio de guerras, bloqueios, sanções, saque de recursos e políticas de submissão.

Condenamos de maneira categórica a agressão militar perpetrada em 3 de janeiro pelo imperialismo estadunidense contra a República Bolivariana da Venezuela, ordenada pela administração de Donald J. Trump. Esta ação criminosa incluiu a captura do presidente legitimamente eleito, Nicolás Maduro, e da deputada Cilia Flores, e deixou um saldo de mais de 150 pessoas assassinadas entre civis e militares, incluindo 32 combatentes cubanos que cumpriam tarefas de apoio solidário. Trata-se de uma flagrante violação do direito internacional e da soberania de um povo que decidiu trilhar um caminho próprio. A agressão contra a Venezuela é também uma agressão contra a classe trabalhadora da América Latina e do Caribe e contra o direito dos povos de decidir seu destino sem ingerências nem ocupação militar.

Da mesma forma, repudiamos o recrudescimento do bloqueio criminoso imposto pelos Estados Unidos contra a República de Cuba, incluindo o recente bloqueio total ao fornecimento de petróleo, que busca submeter seu povo pela fome, em aberta violação do direito internacional, do princípio da não ingerência e da Declaração da América Latina e do Caribe como Zona de Paz, adotada pela CELAC em 2014. Diante dessas novas sanções e das ameaças de uma ação militar contra a ilha, o povo de Fidel e Martí declarou sua resistência e convocou a solidariedade internacional, à qual respondemos com compromisso militante.

Por essa razão, o seminário resolve iniciar uma campanha de solidariedade latino-americana por Cuba, desenvolvida por todos os sindicatos da construção filiados à nossa federação (FLEMACON), com o objetivo de arrecadar medicamentos e alimentos para tentar mitigar a falta de produtos essenciais em consequência do bloqueio perpetrado pelos Estados Unidos.

Denunciamos as ameaças e pressões econômicas contra México, Colômbia e Brasil, as tentativas de enfraquecer os processos de integração regional e de minar iniciativas soberanas como os BRICS, assim como as políticas entreguistas e repressivas do governo do Panamá, que persegue o movimento sindical e encarcera dirigentes do SUNTRACS.

A FLEMACON convoca a classe trabalhadora da América Latina e do Caribe a unificar as lutas, fortalecer a solidariedade internacionalista e enfrentar de maneira organizada o imperialismo e o capital. Nossa América não é colônia nem quintal de nenhuma potência. A história de luta de nossos povos nos convoca a nos organizar, resistir e vencer.

Montevidéu, 7 de fevereiro de 2025